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Saia da zona de conforto

Os sete segredos de uma comunicação com empatia, revelados

– Tempo de leitura: 7 minutos
Comunicar-se com empatia é uma arte! E imagina que gostoso seria descobrir o segredo dessa arte, para você também se tornar fera no negócio?

Fico me perguntando o que será que te levou a clicar aqui para ler esse artigo nosso. A curiosidade, por conta de um título chamativo e tendencioso? A busca por uma receita que vai te ajudar com os desafios relacionais pelos quais está passando? A vontade de nos criticar lá nos comentários, por a gente ser presunçoso e querer capitalizar com dicas rasas? O desejo de reafirmar pressupostos que carrega, ou de colocá-los a prova? Clicou no automático? Veio como uma folha em branco? Tanta coisa…

Depois da leitura, vai lá nos comentários e conta pra gente como estão as expectativas trazidas com o clique. Bem, vamos ao texto.

#1 Não tem segredo!

Sim! Eu já vi tanta gente nesse mundo ensinando os 1001 segredos de 1001 coisas relacionadas a auto desenvolvimento que enjoei. Peguei bode. E esse texto nasceu de uma recorrência de conversas e compartilhamentos onde vejo pessoas dizendo a outras pessoas como elas devem agir para serem mais empáticas.

Heinrich Zimmer, alemão, grande indólogo (estudioso acadêmico das línguas, textos, história e culturas da Ásia meridional), nos deixa de lembrança uma máxima preciosa dos Upanichades (escritos antigos de raiz hinduísta):

Há coisas dignas de serem aprendidas, mas que não são dignas de serem ensinadas.

As coisas mais importantes não são dignas de serem ensinadas. E, certamente, uma atitude de empatia para consigo e com o outro, é uma destas coisas importantes.

Isso significa que estou criticando todo mundo que fala e produz conhecimento sobre o tema, e que estas contribuições que vemos sobre empatia nada tem a somar para cada indivíduo que busca se conectar com o tema?

NÃO! De jeito maneira.

Isso significa que o conhecimento explícito, aquele que pode ser capturado e organizado a partir das palavras, replicado numa tese, num mestrado, num doutorado, que você pode ler em livros e eu posso te contar, pode ser passado pra frente. Mas, o conhecimento tácito, aquele que se dá no viver, este… é só vivendo que se obtém.

E, vem cá: estamos falando sobre pessoas. Sobre lidar com a nossa psique, com aquilo da psique do outro que nos toca, com o que surge e vive entre nós. Querer definir uma verdade e caminho a ser seguido, diante de tamanha complexidade que é o ser humano, é tirar dele o que há de mais fundamental: SUA ALMA. SUA ESSÊNCIA.

Portanto, estude de montão. Aprenda tudo que deseja aprender sobre empatia. Recite de trás pra frente, de frente pra trás, todos os livros que já leu acerca do assunto. Mas, diante de uma interação, lembre que aquela pessoinha (ou aquelas) é muito mais complexa que um livro dá conta de descrever.

E o tato de como lidar com cada um que chega até você, de se perceber diante daquilo que o mundo lhe provoca… é você com você. A sabedoria forja-se no tempo.

Claro… você pode querer receitas de bolo! Quem sou eu para dizer o contrário. Se assim o deseja, espero que a semente de desconforto e provocação, continuem te incomodando por aí.

#2 Abrace a complexidade

Estendendo o que já mencionei acima, reforço: cada ser humaninho desse planeta é um universo. E, tal qual o universo onde vivemos, só sabemos aquilo que chega até nossa percepção, mas não temos NE NHU MA ideia de um monte de coisa que está para além de nossa pretensa arrogância, que tenta enclausurar seres humanos em receitas de bolo e fórmulas prontas.

Abraçar a complexidade significa estar presente e tentar, na medida do possível, suspender pressupostos que tendem a generalizar indivíduos (a começar por nós mesmos) com frases como “fulano é assim por causa disso”, “esta situação é resultado direto daquele fator”, “é lógico que fulano age assim, ele passou por aquilo”. E por aí vai.

Ademais, tem outro fator ainda: a tentativa de pressupor nosso psiquismo sobre o outro. Por exemplo: “se eu vivenciaria as coisas desta maneira, é óbvio que o outro também o fará”. Receita pronta para tretas.

O que nos leva ao próximo super grande segredo…

#3 Estude! Estude! Estude!

Para nos relacionarmos com a complexidade, nossa, do outro, e que vive entre nós, é necessário aprender sobre ela. Como falei lá acima: apesar de não haver receitas prontas de bolo (duvide de todas), existem saberes (conhecimento explícito) que foram extensamente investigados e explorados, que nos ajudam a lidar com situações do cotidiano sem sermos simplistas e, consequentemente, desenvolvermos ainda mais nosso conhecimento tácito.

Aliás, aqui gosto de resgatar uma premissa fundamental que Carl Jung nos presenteou ao investigar e propor a psicologia complexa (normalmente conhecida como psicologia junguiana):

O genérico não importa perante o individual, o individual não importa perante o genérico.

Trocando em miúdos:

1) Por mais que existam conhecimentos gerais sobre empatia e relacionamentos interpessoais, todo indivíduo é único e não há garantia alguma de que premissas gerais sejam válidas diante dele.

2) Ao mesmo tempo, cada indivíduo é um pequeno recorte de um algo geral, no sentido de que podemos encontrar no coletivo aspectos que ressoam com aquele indivíduo, e com tantos outros.

Ou seja, paradoxalmente, somos uma parte de um todo, ainda que sejamos únicos. Querermos achar que somos apartados do todo, é ilusão. E querer forçar o todo sobre um indivíduo, é outra ilusão.

Estudar sobre a complexidade nos ajuda a sustentar esse paradoxo e não pender para o individualismo (e achar que aspectos coletivos pouco importam) e nem para o coletivismo (achar que o individual não importa e tudo tem que se conformar a normas coletivas).

Ao sustentar esse paradoxo abrimos espaço para valorizar a individualidade (unicidade de cada indivíduo) e compreender que ele não existe apartado do meio, entendendo a sua relação com a coletividade.

#4 Pratique sem cessar

Ann Voskamp, escritora holandesa, tem uma frase muito massa, que falo para todos que se juntam aos nossos cursos:

A prática é a parte mais difícil do aprendizado, e treinar é a essência da transformação.

E para complementar essa preciosidade, trago as palavras de um mestre que me inspira e até hoje influencia fortemente meu olhar para educação (formal e não formal).

Aprendido é aquilo que fica depois que o esquecimento já fez o seu trabalho.

Rubem Alves

Assentado sobre estas duas citações acima, resgato um exemplo simples, mas poderoso: corredores de 100m rasos.

Tu já viu uma corrida de 100m rasos? Competidores estão ali, atentos e preparados para a largada. Ao som de um tiro para o alto, como uma explosão, disparam em direção à linha final, com toda a energia e intensidade, com cada pedacinho de seu corpo trabalhando em sintonia. 10 segundos depois, o primeiro cruza a linha de chegada. Alguns segundos depois, os demais.

Já imaginou o quanto estas pessoas treinam, e treinam, e treinam, para correr aqueles 100 metros durante 10 segundos? São horas, centenas de horas, anos de treino e dedicação. De fortalecimento destes músculos.

Pois, eis a dica mais preciosa, o segredo dos segredos para você ter uma comunicação mais empática: PRATIQUE. SEM CESSAR.

O conhecimento explícito será seu grande parceiro, certamente. Mas, encher o cabeção e não colocar em prática, é só encher o cabeção e virar um demagogo que muito fala e discursa sobre, mas pouco, ou nada, faz.

Talvez você não vai dar conta, no início, de enfrentar situações desafiadoras. Principalmente aquelas que disparam gatilhos. Mas, com o tempo, treinando, quem sabe você já esteja levando não 25s, mas 15s ou 16s, quem sabe 10s, para terminar os 100m, né?

#5 Responsabilize-se

Essa é simples! Boba! Nada demais. E, por isso, tão difícil.

É fácil cair na ideia moralista de que “temos que” ser empáticos porque isso é coisa de gente boa, de gente generosa, de gente do bem! Ainda mais quando empatia é uma palavra na moda. Difícil é a gente escolher ser empático, apesar disso tudo. Afinal, empatia é decisão.

Com quem ressoa com a gente, é fácil e massa ser empático. Só sorrisos. Afinal, somos simpáticos a quem conosco se assemelha. Agora, com quem parece nosso inimigo, desperta nossos monstrinhos internos, que é desafiador de nossa paciência… é que o bagulho aperta. Afinal, com quem somos antipáticos, é bem mais intenso. Haja treino, viu.

E eu digo para responsabilizar-se porque tá tudo bem você não querer ser empático. Mandar o outro para aquele lugar, soltar meia dúzia de palavrão. Fazer o que for, fazer o que quiser. Ao mesmo tempo que, junto disso, também vem a responsabilidade por suas escolhas.

E quando digo moralismo lá em cima, é porque acredito que o viver é muito mais complexo. E o que precisamos, mesmo, é de pessoas conscientes e dispostas a escolherem seus caminhos porque querem, por decisão consciente.

#6 Assuma o risco

Outra coisinha simples, e profunda, que se conecta com o que falei anteriormente.

Ser empático com o outro não é garantia alguma de que ele vai ser recíproco, por mais que existam estudos e mais estudos que digam que há uma tendência em o outro responder de forma mais cuidadosa (ou menos agressiva) quando ele percebe que está sendo escutado. Porém, é algo geral e que, não necessariamente se aplica a toda e qualquer situação.

Isso implica em estarmos preparados (olha o conhecimento tácito aí de novo) para lidarmos com imprevistos e atitudes diferentes das esperadas, para não cairmos no moralismo bobo (que já mencionei anteriormente) e começarmos a culpabilizar o outro dizendo: “eu fiz a minha parte, e nada funciona porque o outro não quer”. Aí, estamos nos assentando no papel de senhores da luz, relegando o outro às trevas, e projetando nele o nosso próprio psiquismo. Aliás, existe o risco de brincarmos de ser deus e tentar dizer para o outro como ele DEVE ou não não deve agir. Prepotência pouca né?

O que nos leva ao nosso último grande segredo, para transbordar o pote de ouro…

#7 Pense por você mesmo

Para fechar, voltemos à provocação do início.

Eu não sou contra dicas, sobre receitinhas, apesar de talvez parecer o contrário. Acho super importante, como salientei no texto, o conhecimento explícito. Mas, frases de efeito da boca pra fora, que não permeiam nossa pele, adentrando nossos poros e se fazendo um conosco (lembram da citação de Rubem Alves e Ann Voskamp?), são vazias em si mesmas.

Portanto… reitero, poeticamente:

Estude! Muito!
Pense, reflita, questione.
Debata, discorde, brigue.
Pergunte, escute, aprenda.
Pondere, compreenda.
Exerça um pensar crítico.
Respeite a complexidade.
E faça suas escolhas, consciente.

Esse caminho é difícil pra cacete. Exige, demais! E não é pra todos. Há um preço a se pagar.

Liberte-se das receitas prontas, dos segredinhos mágicos do sucesso, e comece a criar seu próprio caminhar. E se você prestou atenção nesse texto, vai saber que cada receitinha e segredinho tem o seu lugar. Que, certamente, não é o de protagonismo, como nossos gurus e mais gurus do século 21, famosos ou não, tentam nos fazer acreditar.

Sinto muito se deixei uma rua de desilusão, um desespero, um inconformismo, uma frustração, ou qualquer outro sentir que aponte para a não descoberta de uma fórmula mágica. Espero que outros tesouros tenham brilhado.

E, claro, vou fazer um breve merchan:

Se você quer descobrir a Comunicação Empática (ou, Comunicação Não Violenta) a partir desse conhecimento explícito que citei no texto, a partir de uma curadoria que fizemos dos quase 8 anos de investigação e vivência no tema… e construir o seu próprio conhecimento tácito a partir de encontros ao vivo e online, comigo… link abaixo.

Não teremos respostas prontas. Não teremos segredinhos. Mas teremos muita provocação e um espaço de profunda prática e reflexão, sobre complexidades mil desse vasto universo que é relacionar-se. E que a gente só descobre, vivendo.

Sergio Luciano
Um mineiro que gosta de conversar, aprender com o cotidiano e escrever. Investiga psicologia junguiana, comunicação não violenta, poder, privilégio, democracia profunda, dentre outros temas, para tentar entender um pouco mais esse negócio de relacionar-se com o diferente.
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