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O Moro de amanhã pode ser você

– Tempo de leitura: 3 minutos

20 de abril de 2022. Dias atrás o Moro publicou que em sua infância sua mãe o ensinou a ler com o livro Dendeleão (Dandelion).

Com algumas buscas rápidas no Google, geral encontrou que o livro foi publicado em 1995 pela Ediouro. Algumas outras informações mostram que foi em 2002. O Google é bom em organizar informações né. Ele falou, tá falado.

Logo, sendo 95, Moro foi alfabetizado aos 23 anos, sabe? Piada pronta para quem deseja ostracizá-lo e bater nele por mais uma gafe e mentira.

Sim, no passado ele já falou algumas besteiras sobre ter lido biografias e pegaram ele no pulo, pelo que entendi (não me aprofundei).

Eu, bocó que sou, gastei meu tempo pesquisando. Fiquei intrigado com o livro. Fiquei intrigado com a história. Sim, eu perco tempo com o livro que o Moro gosta, gente. Não sou produtivo o tempo todo. Me julguem.

Em aproximadamete 30 minutos de pesquisa de ISBN pra lá e pra cá, achei o acervo digital da Biblioteca Nacional. Pesquisei o livro.

Adivinha? A impressão em questão é da 5ª edição. A 5ª edição é de 95.

Detalhe: IMPRESSÃO e EDIÇÃO são coisas distintas. Sendo simplista, a edição muda ao ter algumas alterações no conteúdo da obra. Impressão é reimprimir a mesma edição, sem alteração alguma na obra.

Logo, a 1ª edição é anterior a 95. E não sei dizer quantas IMPRESSÕES de cada edição houveram. Diria que a 1ª edição é, de pelo menos, alguns bons anos antes.

Resumo da obra:

Fizeram toda uma piada com o Moro. Bateram no cara. Ele passou como mentiroso. Em parte, talvez por ele já não ser tão amado assim por pessoas do campo da esquerda. E agora também por muitas da extrema direita. Afinal, conseguiu ser odiado por geral (generalizando, claro).

Entretanto, uma inverdade alimentou uma pegação no pé do cara. Talvez, alguns até a justifiquem de mil maneiras diferentes:

– Mas é bobeira. Foi só uma coisinha besta. Preocupação a toa.

– Ele merece. É cuzão mesmo. Ele mentiu horrores, isso é pouco perto do que ele fez.

– Tá pagando a língua, porque ninguém confiava nele por fatos anteriores.

Toda justificativa que achemos não muda o fato de que uma mentira contada muitas vezes meio que vira verdade, né?

Aliás, vários portais de fofoca (ops, notícia) publicaram e passaram pra frente a informação. Não sei se vão retratar. Quem leu a primeira informação não necessariamente leria uma retratação. Inclusive, o meme já colou. E meme colado, não é tão fácil pra descolar.

A gente tá na era da [des]informação exponencial. E esse caso “bobo” com o Moro é só mais um, em meio a um comportamento coletivo de apontar de dedos precipitados.

Ei, eu não estou imune a isso, tá? Nesse caso, em especial, minha boba curiosidade me levou a verificar isso. Já compartilhei coisas, no afã e raiva do momento, e no catártico momento da crítica pela crítica. Sou moralista não, viu.

Notar que isso é algo que parece enraizado entre nós me ajuda a fazer novas escolhas, e respirar antes de condenar. Ver para onde, e como, quero direcionar minha energia. E entender o que está por trás das minhas intenções.

Ah, e sobre a questão de bater nele por uma inverdade, mais uma munição pra desacreditar e bater no campo progressista. “Vocês também tão com as fake news ae”. E qualquer justificativa não contrapõe essa crítica. Afinal, não importa a justificativa, é uma inverdade né.

Enquanto isso o tecido social se desgasta. O diálogo entra em extinção. Cancelamento se torna o novo normal.

Talvez esse seja o destino. E diante desse possível fatídico polarizado fim, sigo tentando trazer doses de escuta e moderação.

PS: amanhã o Moro pode ser você. 🙃

Sergio Luciano
Um mineiro que gosta de conversar, aprender com o cotidiano e escrever. Investiga psicologia junguiana, comunicação não violenta, poder, privilégio, democracia profunda, dentre outros temas, para tentar entender um pouco mais esse negócio de relacionar-se com o diferente.
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