Como você lida com uma mensagem difícil de ouvir?

Tempo de leitura: 3 minutos
Imagem: Apprentie Girafe | Tradução da imagem: Marina de Martino

Vamos falar sobre mensagens difíceis de ouvir? Essa mesma, que passou pela sua cabeça agora! Uma mensagem que, ao ouvir, o sangue sobe, a cabeça ferve e nossa vontade inicial é de chutar o pau da barraca.

Primeiro: NÃO SE DESESPERE!!! (ou acolha esse desespero, com amor )

É permitido sentir raiva. Culpar a outra pessoa. Até mesmo culpar a si mesmo(a) por conta do que escutou. Inclusive, esse movimento de culpa pode ser a porta de entrada para compreendermos mais o que se passa conosco. E, ao negá-lo, talvez estejamos nos negando o direito de expressarmos a dor que sentimos.

O ponto central aqui é reconhecer esse padrão de culpa e acusação. Afinal, imagina quantas vezes na vida já nos culpamos ou culpamos outras pessoas, sem perceber? De forma inconsciente?

Reconhecer que isso está acontecendo no agora, no momento presente…. é um presente!

Segundo: os pensamentos virão, e com o tempo podemos escolher acolhê-los antes de expressá-los “sem filtro algum”.

Aí está uma das maravilhas da empatia. Quando começamos a tomar consciência dos pensamentos que aparecem, podemos olhar para eles com acolhimento, compreendendo que eles estão ali para contar sobre algo importante pra nós.

Julgamentos normalmente são uma porta de entrada para compreensão de necessidades não atendidas ou atendidas em determinada situação.

Então, pense tudo que quiser pensar. Deixa vir. Porém, ao final complete esse história. Os julgamentos são parte de você, mas você não é limitado(a) a eles.

Após essa explosão de emoções aí dentro, respire. Acolha-se. Empatize-se consigo.

Como você se sente quando ouve essa frase? Quais necessidades estão pedindo por cuidado? Com o tempo, talvez você comece a se expressar a partir desse lugar de compreensão, consigo e com o outro, para além do jogo da culpa e acusação.

Ao invés de reagir com um “Você é um estúpido que não sabe o que fala, vá à merda…”, talvez surja um “Me sinto bem incomodado e surpreso por ouvir isso, pois não me percebo assim. Pode me contar melhor (necessidade de clareza) o que te leva a dizer essa frase?”

E aí, uma porta de diálogo talvez se abra.

Terceiro: com o músculo já exercitado, vá além! Empatize-se com a outra pessoa.

Talvez vai chegar um momento que você vai ter curiosidade para compreender o que motiva alguém a lhe dizer essa frase. Nessa hora, imagino que já rola uma tranquilidade maior por ter se acolhido e assim terá espaço interno para acolher a outra pessoa.

Quais necessidades dela não estão sendo cuidadas? Quais sentimentos presentes? Imagine. Brique com as possibilidades, em pensamento.

Aí, se houver (ou quando houver) a oportunidade, pergunte. Valide com a pessoa.

“Nossa, quando você diz essa frase, será que gostaria de mais atenção e cuidado (necessidades) da minha parte, e não vê isso acontecendo?”

Talvez, seja um primeiro passo para encontrarem, juntas, um caminho que cuidem de ambas.

– Ah! Mas até parece que no fervor do momento eu vou dar conta de fazer tudo isso, né! Até lá eu já descarreguei todo o fogo e quebrei o pau com a outra pessoa!!!

Conhece alguém que ao começar a academia já saiu levantando 100 kg? Ou um atleta que já na primeira corrida saiu ganhando uma Maratona de São Silvestre?

Pois é! Não é da noite pro dia.

Comece a exercitar. Aos poucos. Não se cobre de ser a pessoa SUPER EMPÁTICA e acolhedora. Respeite-se. Respeite sua jornada de aprendizagem.

Exercite, sempre que puder. Faça o “dever de casa”. Com o tempo, na hora da fúria, talvez você consiga estar mais presente. Fazer uma escolha diferente e seguir o caminho da escuta ao invés da culpa.

Exercício para fazer sozinho ou em grupo

1. Escolha uma frase difícil de ouvir. Pense sobre o contexto onde ela é dita, sobre a pessoa.

2. Ao escutar essa frase, quais sentimentos afloram?

3. Quais necessidades pedem por cuidado?

4. Anote os sentimentos e necessidades. Medite um pouco sobre a importância deles pra você, nessa situação.

5. Se estiver fazendo em grupo, conversem sobre o exercício depois de cada uma fazê-lo individualmente.

 

Ao compreender os sentimentos e necessidades, você já começa a ter mais autonomia e poder de escolha. Pode ir além do responsabilizar o outro pelo que sente e precisa.

Viver a filosofia da comunicação não-violenta é uma escolha, um caminho para seguir consciente durante toda a vida. Lembre-se:

“A prática é a parte mais difícil do aprendizado. E treinar é a essência da transformação”

Anterior:

Deixar uma estratégia, sem abandonar a necessidade, é a chave de abertura à abundância

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Atente-se à sabedoria que reside nos julgamentos que tanto queremos eliminar de nós

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Laura e Sérgio são companheiros de vida e trabalho, fundadores da Colibri. Vez ou outra bate uma inspiração e eles escrevem e revisam em conjunto os conteúdos. Nesse perfil, eles dão voz e asas à Colibri.
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