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De 25 a 30 de novembro

Por que sempre temos essas brigas “ridículas”?

– Tempo de leitura: 3 minutos

São detalhes. Muitas vezes, ridículos demais para gastar palavras com eles. E, mesmo assim, toda vez compramos a briga. Como surgem essas brigas aparentemente banais? A expert em relacionamentos Rika Ponnet compartilha respostas oriundas do seu consultório. [Artigo traduzido. Créditos no final do texto.]

Tinha explodido completamente essa semana. Pelo seu comentário sobre o alho-poró ter sido picado grosso demais. Mas, a sopa será batida, ela havia respondido. Ele acha que sempre precisa fazê-lo da melhor forma, em pedacinhos finos, que nem quando for refogá-lo. Não há exercício melhor que esse para as habilidades de corte, ela já deveria saber isso.

Aconteceu também com as cenouras na semana retrasada, das quais ela havia tirado casca demais. O purê onde não deveria colocar ovo. A maneira como ela havia aberto o pacote de biscoitos.

Pode até ser que ele tinha razão. Mas aquele tom de voz! Depois do comentário sobre o alho-poró ela estourou. Que achava ele um professorzinho apontador de dedo irritante demais. Ele se marchou enfadado. Se não posso dizer nada, então faça tudo sozinha, ele gritou. Aquela noite jantaram num silêncio carregado e foram dormir calados.

O que ela acha tão difícil: a distância, seus muros levantados, o humor ranzinza. Ela conserta as coisas, caricia a bunda dele sem dizer nada, faz sexo, mas fica com a sensação de estar pedindo perdão por uma culpa que existe só na cabeça dele.

Como é possível que sempre leva a isso, um maçarico que aparece de repente? E que essas brigas destroem algo para ela, enfraquecendo cada vez mais o que ela sente por ele, tanto que teme poder levar ao término do relacionamento.

Ele xinga. Se realmente estão fazendo terapia para falar sobre cenouras e alho-poró. Ridículo. Percebo que ela se encolhe e recua internamente. E lá vai eu e abordo novamente o assunto da tábua de corte. Que, racionalmente falando, ambos os pontos de vista fazem sentido.

Sopa aguenta ter pedaços grandes. Ao mesmo tempo, a prática leva à perfeição. E cortar vegetais com eficiência entra nessa categoria. Mas esse comentário o deixa visivelmente irritado.

Se todo mundo sempre tem um pouco de razão, não chega em lugar nenhum. Ele viu isso acontecer tantas vezes na casa dele. Igual no clássico quebra-cabeça de travessia de rio, toda vez seus pais buscavam salvar tanto o repolho como a cabra nos inúmeros conflitos escalados entre ele e seu irmão. E como ele odiava isso, que eles não davam ou tiravam a razão de ninguém. E que isso tinha aguçado ao extremo seu senso de justiça. O que ele quer é eliminar uma opinião, porque duas visões levam a um campo de tensão sem solução. E, obviamente, a visão que precisa sobrar é a dele, porque ele tem razão.

Ela se encolhe mais ainda. Dou-lhe o espaço e tempo para falar, fazendo com que ele a escute sem interrupções. Ela conta como críticas a bloqueiam. Que ela se esforça tanto, mas que ele não vê isso. Tudo o que ela fez antes de cortar o alho-poró, e quão bem fez aquelas coisas, sem receber apreciação alguma por aquilo. Os cuidados com as crianças, a família, todo o trabalho emocional que isso dá. E que, qualquer coisa que ele fizer, sempre requer uma ovação em pé como apreciação.

Quando eu peço para ela repetir suas palavras, mal consegue. Tão rápido aparece novamente a sensação de precisar se defender. Levamos semanas para chegar no ponto em que ambos enxergam que atacar e defender é uma maneira de pedir reconhecimento

E como isso é importante: olhar conscientemente para aquilo que o outro faz na sua vida. E, além disso, expressar isso em palavras. Encontrar essa necessidade profunda, sempre, em baixo de todas essas discussões repetitivas. Me veja. Me reconheça. Me ame.

Escrito por Rika Ponnet, originalmente publicado com o título “Waarom maken we altijd die ‘belachelijke’ ruzies?” na revista Billie, em 20/03/2021. Tradução livre por Laura Claessens. Ao copiar fragmentos do texto, cite a fonte.

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Laura Claessens

Laura Claessens

Cofundadora da Colibri. Motivada pelo profundo desejo de cultivar relações mais saudáveis consigo mesma, com outros e com a Terra que lhe sustenta. Fascina-se pela linguagem e o uso consciente das palavras na (des)construção de significados e narrativas. Numa constante aprendizagem de acolher e integrar o “diferente”.
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