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O que realmente vimos?

– Tempo de leitura: 3 minutos

Trabalhar remotamente em casa durante a quarentena tem os seus desafios. O canal Porta dos Fundos criou vários vídeos sobre o tema, reunindo todo tipo de situações constrangedoras que podem vir a acontecer durante uma reunião virtual. Como encarar os colegas e o chefe, depois de uma situação dessas, quando voltarmos para o local de trabalho? A Colibri se conectou com as reflexões que Julie Diamond escreveu em sua newsletter de Maio/20, do qual pode ler a tradução a seguir.

Uma vez, quando eu tinha seis anos, vi minha professora de primeiro grau no supermercado.

Eu fiquei cravado no chão. A sra. Gottschalk fazia compras? Ela cozinhava e comia comida?

E, então, rezei silenciosamente para que ela não me visse, porque eu não tinha ideia de como me relacionar com ela fora da escola. Meu cérebro de 6 anos simplesmente não conseguia conciliar que minha professora e essa dama fazendo compras, parecendo tão normal, eram a mesma pessoa!

Eu não consegui, e não quis, ver seu eu pessoal. Foi muito perturbador. Os professores não deveriam ser como o resto de nós.

Obviamente, superei isso e aceitei o fato de que os professores faziam compras, cozinhavam, comiam e eram exatamente como nós.

E isso vem à mente agora porque o COVID-19 está causando estragos no limite entre nosso eu pessoal e profissional.

Para começar, nossas emoções estão invadindo, minando nossas personas profissionais. Estamos mais estressados, ansiosos, deprimidos e amedrontados do que normalmente. E somos menos capazes de esconder isso uns dos outros.

Em segundo lugar, trabalhar em casa renovou completamente nossa imagem aos olhos de nossos colegas de trabalho. Estamos descabelados. Nossos filhos passam por cima de nós enquanto estamos em uma reunião. Pessoas entram na sala, alheias ao fato de estarmos em uma videoconferência.

Os âncoras do noticiário esquecem de vestir as calças; esquecemos de desativar o microfone e gritamos para toda a equipe: “Já te falei, eles estão na sua gaveta de baixo!“.

O COVID não apenas borrou os limites entre nosso trabalho e nossas vidas pessoais, ele também os explodiu.

Vemos uns aos outros de maneiras que nunca conseguiremos esquecer. Quando, ou se, em algum momento, voltarmos ao escritório, não importa o que seu colega de trabalho estiver vestindo em determinado dia, você sempre o verá naquela regata suja, precisando de um corte de cabelo ou barba, olhos turvos e interrompido por crianças ou colegas de quarto barulhentos. Algumas imagens não são tão fáceis de esquecer.

Mas o que realmente vimos?

Nos vimos em toda nossa humanidade, afirmando que sim, nossos supervisores são pessoas reais também, que todos temos um lado pessoal, vidas fora de nossos papéis. Estamos todos – emprestando uma frase frequentemente usada – apenas fazendo o melhor que podemos.

Então, sim, esse período de quarentena está causando um enorme estresse à medida que gerimos nossos papéis concorrentes e conflitantes: os de profissional, cozinheiro, faxineiro, cuidador, professor, membro da equipe, colega de quarto, etc.

Mas o lado positivo é o seguinte: talvez essa divisão rígida entre nosso eu profissional e nosso eu pessoal não seja uma divisão psicologicamente saudável, afinal.

Nós somos pessoas inteiras. E ser capaz de ser o nosso eu pleno, inteiro no trabalho, ou em qualquer outro lugar, nos faz felizes. Nos sentimos melhores. E sim, é também um fator essencial da satisfação do funcionário. Mas é muito mais que isso, é muito benéfico para nós quando conseguimos conciliar as várias partes do nosso eu.

Ser uma pessoa significa não apenas ser um profissional, não apenas ser competente e inteligente, mas também ser alguém com responsabilidades para com os membros da família, alguém com hobbies, alguém com emoções e com uma saúde mental e física que precisa ser cuidada.

E isso é muito mais verdadeiro, muito mais saudável, do que viver uma vida em que nos compartimentamos.

Então, esperemos que, à medida que o mundo comece a se abrir novamente, não sejamos rápidos demais em isolar nosso eu pleno do mundo e uns dos outros, e, em vez disso, colaboremos para nos enxergarmos pelo que realmente somos – seres humanos, apenas fazendo o melhor que podemos.

Como sempre, grata por ler.

Calorosamente,
Julie

*Julie Diamond tem desenvolvido pesquisa e trabalho extensos focando problemas de poder – as maneiras em que poder é expresso e como ele impacta cultura, dinâmicas interpessoais, tomada de decisão e capacidade de liderar. Ela é autora, coach executivo e consultora de liderança internacional com mais de 25 anos de experiência e fundadora da Diamond Leadership.

Tradução por: Laura Claessens

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