Não damos mais descontos! E eu te conto o porquê

Tempo de leitura: 3 minutos

Esse final de semana demos mais um passo em direção a um posicionamento da Colibri mais alinhado ainda com os valores que acreditamos.

Comecemos com algumas curiosidades sobre o que já vínhamos construindo.

Você sabia que uma das premissas que temos com nossos produtos é de nunca aumentar o preço e, pelo contrário, encontrar maneiras de que o preço seja cada vez menor?

Essa é uma política que nos acompanha desde a fundação formal da Colibri (como um CNPJ), em janeiro de 2017.

A premissa para seguirmos baixando os preços é uma coisa que eu poderia rotular como “índice de sustentabilidade financeira”.

Tipo, a gente precisa de X mil reais mensais para pagar custos da Colibri, reservar uma grana mensal para aposentadoria, conseguir fazer algumas viagens por ano entre Brasil e Bélgica (Laura é belga, gente), ter qualidade de vida e bem-estar, alimentação saudável, um pouco de diversão, investimento em novos projetos.

Entenda que nesses “custos da Colibri”, além dos custos normais de uma empresa, está provisionada uma remuneração justa para parceiras da Colibri e doação mensal, em dinheiro e em produtos, para instituições sociais.

Aí, a gente vai para os produtos e serviços que temos disponíveis. Afinal, a Colibri se sustenta a partir da venda de alguns produtos e da oferta de cursos, workshops e palestras.

Começamos a precificar nossos produtos e serviços de acordo com o valor que vemos eles entregarem, também com base nos feedbacks que recebemos do quanto eles agregaram para as pessoas que chegam até nós. Tendo em mente o quanto temos condições de vender, trabalhando de forma saudável.

A partir de agora vou seguir usando o Grok como exemplo. Temos um preço de 150 reais.

Um preço pago uma vez e que traz consigo: benefícios para a integração da CNV e desenvolvimento da empatia, apoio na construção de vínculos mais saudáveis, material durável e de alta qualidade (cartas feitas pela COPAG, sabia?), cuidado com o projeto social envolvido com a produção, conteúdos adicionais e gratuitos que já temos (precisamos melhorar ainda essa parte, mas já tem algumas coisas legais).

Ofertando a esse preço, hoje, conseguimos ter uma sustentabilidade financeira mínima. Longe do ideal, por conta do volume de vendas, mas que já nos proporciona bem-estar.

Foi um longo dilema entre cuidar de nossa sustentabilidade financeira e tornar nossos produtos o mais acessíveis possível. Decidimos manter esse preço de 150 reais e, para cuidar de ele chegar em camadas mais vulneráveis que poderiam se beneficiar, a cada 10 jogos vendidos doamos 1 para uma instituição social ou escola pública.

Já doamos nesses anos mais de 450 jogos para todo o Brasil. E os relatos que temos do impacto disso, aquecem o coração.

Tá. Voltemos ao que falei no início. O novo passo.

A gente sempre soube que o preço do Grok poderia ser inacessível para algumas pessoas. Vez ou outra recebíamos pedidos de desconto e sempre oferecíamos, dentro das possibilidades atuais. Era uma forma de contribuir com o acesso ao jogo para mais pessoas.

Também começamos a dar desconto para compra de mais de uma unidade. Isso contribuiu para que pessoas se auto organizassem e fizessem compras coletivas. Até apoiando na criação de grupos de prática e partilha, inclusive. <3

Mas, tipo, não queríamos mais usar desconto como argumento de venda. COMPRE COM DESCONTO, APROVEITE!

Então, o novo passo.

A partir de agora a Colibri começa a apresentar os produtos com preço mínimo e integral.

O preço mínimo é o valor mais baixo pelo qual podemos vender um produto, que mantém uma margem que não comprometa nossas finanças.

O preço integral segue sendo o preço justo que definimos com base no valor que percebemos que o produto pode agregar e que é o melhor dos mundos para nosso “índice de sustentabilidade financeira”.

Cada pessoa pode, dentro de suas possibilidades financeiras atuais e valor que percebe no produto, escolher o quanto vai pagar. Escolha consciente de cada pessoa. A gente não vai monitorar nada disso não.

Agora, última coisa e para mim a mais bacana:

À medida que a gente aumenta a oferta de produtos e consegue ter uma constância maior de compras mensais em nossa loja, conseguimos reduzir ainda mais o nosso preço mínimo. Dessa forma, temos uma faixa de preços que se adeque à realidade de cada vez mais pessoas.

Quem tem menos possibilidades financeiras, pode escolher pagar preços menores. E quem tem mais possibilidades, escolher conscientemente o quanto pagar.

É um risco danado. Dá dor de barriga. Começo a pensar: “mas aí todo mundo vai querer pagar o menos possível”. E há o medo de pessoas não entenderem essa proposta e deixarem de comprar por isso.

E eu começo a ver as vendas que já rolaram desde três dias atrás. E ver que tem gente que pagou preço mínimo. Tem gente que pagou preço integral. Teve até gente que pagou um pouco a mais que o preço integral (a gente dá essa possibilidade para quem acredita no trampo que fazemos e se dispõe a contribuir com mais).

O medo de pessoas deixarem de comprar por conta dessa proposta, continua, claro. É diferente do padrão.

Então, eu respiro. Respiro. Respiro.

E lembro que um mundo mais inclusivo também se constrói a partir do que está ao alcance de nossas mãos. Aliás, tenho comigo que é desse lugar que a potência surge em sua plenitude.

Fazer aquilo que fala. Falar daquilo que faz.

Ah, e por último, não menos importante…

Não temos premissa de acúmulos infinitos de dinheiros em nossas contas bancárias não. Sigo achando que não deveriam existir bilionários no mundo. E que toda abundância precisa ser transbordada para a sociedade.

Então, quanto mais próspera a Colibri se torna, mais investimentos seguiremos fazendo na construção de um mundo mais acolhedor e equânime.

Sabemos que somos um mero Colibri nesse mundo gigantão, de vez em sempre dominado por tubarões.

Mas… Colibris… têm a polinização como uma das essências de seu existir. E como está inclusive em como nos descrevemos, queremos sempre ser Polinizadores de Mudanças.

Polinizando um pouquinho aqui, um pouquinho ali. Em sintonia com tantas outras pessoas vivendo e contando um mundo diferente, mais acolhedor e inclusivo…

Vai que um dia a moda pega.

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Sergio Luciano

Sergio Luciano

Sou um dos fundadores da Colibri. Intrigado pela complexidade das relações de poder e privilégio numa sociedade, tenho me aprofundado nesse tema pelo olhar Processwork, uma abordagem terapêutica derivada da psicologia junguiana voltada para mediação de conflitos, facilitação de grupos e autoconhecimento. Também investigo e compartilho sobre comunicação não-violenta e atendo organizações e pessoas físicas no Brasil e no exterior.
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