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De 25 a 30 de novembro

A importância de espaços de escuta nas organizações

– Tempo de leitura: 3 minutos

Segunda-feira, nove horas da manhã. A equipe de atendimento ao cliente estava pronta para mais um encontro que levaria 30 minutos. Em círculos, cada pessoa tinha a oportunidade de compartilhar como estava se sentindo, tanto em relação ao trabalho como em relação à vida. Veja, oportunidade. Um espaço de fala, sem obrigatoriedade.

Frederico estava com um olhar um tanto distante e quieto, diferente da pessoa falante e presente que seus pares de trabalho estavam acostumados a ver. Tomou a palavra. Durante cerca de 5 minutos, compartilhou como seu final de semana tinha sido, um dos piores dos últimos tempos, por conta de uma situação delicada que havia passado na família, e sua preocupação que esse ocorrido afetaria seu desempenho durante a semana.

Depois de alguns segundos de silêncio após sua fala, uma das pessoas presentes respirou fundo e perguntou se havia algo que poderia fazer. João acenou que não e expressou que esse espaço para trazer sua preocupação e dar voz ao que aconteceu foi suficiente para ele se sentir seguro e fortalecido para seguir com o trabalho. O encontro seguiu com mais algumas vozes trazendo celebrações pessoais e outras expressando angústias sobre projetos da empresa.

Se essa cena te causa estranheza, tente substituí-la por um momento de ginástica laboral. Uma vez na semana a equipe se reúne para exercitar o corpo, para lembrar dos cuidados a fim de evitar uma LER (lesão por esforço repetitivo) ou uma dor crônica por conta da postura. Talvez essa nova cena lhe pareça mais possível de acontecer no ambiente de trabalho.

Quando se fala de corpo físico, o cuidado se torna evidente. Porém esquecemos que também temos um corpo emocional. E, quando criamos espaço na organização para cuidar desse corpo emocional, criamos espaço para aumentar o bem-estar individual e coletivo, e criar um ambiente mais favorável ao atingimento das metas da empresa de forma saudável e sustentável para quem ali trabalha.

Por isso, o que proponho é a criação de espaços de escuta como parte da cultura organizacional.

Quando as pessoas se olham e se escutam, há mais espaço para colaboração

A criação de espaços de escuta semanais contribui para as pessoas olharem umas para as outras e perceberem que não são uma máquina de entregar resultados e relatórios, mas que existe uma humanidade viva e pulsante dentro de cada uma. Isso promove o aumento do nível de conexão entre o time, ao lembrar que cada um ali é muito mais do que o papel que representa na empresa (assistente, analista, coordenador, supervisor, gerente etc).

Quando nos conectamos a partir de nossas histórias e humanidade compartilhada, a colaboração se torna parte inata da relação. Afinal, somos seres sociais e buscamos viver em comunidade. Basta pensar em nossa vida pessoal e o quanto somos abertos a contribuir com pessoas próximas, com as quais compartilhamos uma história e afeto.

Espaços de escuta geram mais segurança e liberdade de expressão

Quando surge um conflito, uma situação desafiadora onde trabalha, ou até mesmo em uma reunião, você sente liberdade de se expressar? Ou prefere fazer vista grossa e deixar que outras pessoas tomem ação para cuidar? E apesar de você sentir essa liberdade, será que as demais pessoas também a sentem?

Espaços de escuta podem contribuir para que as pessoas se relacionem a partir de um lugar de mais cuidado e acolhimento das opiniões e expressões do outro. Com o tempo, essa prática semanal de escuta entre o time apoia o aprofundamento das relações a um nível em que cada pessoa se sente mais livre para expressar seus sentimentos e pensamentos. E num ambiente onde existe acolhimento e liberdade de expressão, existe espaço para viver o conflito em toda a sua intensidade, a partir de um lugar de conexão e com o foco na solução.

Com o tempo, esses espaços de escuta podem também apoiar a criação de uma cultura organizacional pautada na empatia e não-violência. E, ainda que pareça utópica a possibilidade desse tipo de ambiente nas organizações, talvez seja nessa mesma utopia que se encontre um remédio para a toxicidade e insalubridade dos ambientes de trabalho de hoje.
Lembre-se de que o fato de não falarmos sobre algo não quer dizer que isso não exista. E o que hoje está invisível e velado, pense que uma boa dose de escuta poderia apoiar a emergir e ser cuidado na organização da qual você é parte.

Texto de Sérgio Luciano, da Colibri, para sua coluna no UOL Ecoa.

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Sergio Luciano

Sergio Luciano

Sou um dos fundadores da Colibri. Intrigado pela complexidade das relações de poder e privilégio numa sociedade, tenho me aprofundado nesse tema pelo olhar Processwork, uma abordagem terapêutica derivada da psicologia junguiana voltada para mediação de conflitos, facilitação de grupos e autoconhecimento. Também investigo e compartilho sobre comunicação não-violenta e atendo organizações e pessoas físicas no Brasil e no exterior.
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